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NF-e e NFC-e · IPI, II e ISSQN

cEnq na NF-e: enquadramento legal do IPI e rejeições 387 e 388

<cEnq>det › imposto › IPI › cEnq

Revisão editorial em 27 de set. de 2026. As versões e condições das regras estão indicadas ao longo do artigo.

cEnq identifica o enquadramento legal do Imposto sobre Produtos Industrializados no XML. Para conferir esse código, separe sua representação, sua presença na tabela técnica, sua compatibilidade com o CST e o fundamento que permite utilizá-lo na operação. Um código pode existir na tabela e ainda ser incompatível com o CST informado.

Neste artigo:

O código pertence ao grupo IPI

O XPath é /nfeProc/NFe/infNFe/det/imposto/IPI/cEnq, no namespace http://www.portalfiscal.inf.br/nfe. O MOC identifica o campo como O06. Ele é obrigatório quando o grupo IPI está presente e fica antes da escolha entre IPITrib e IPINT. Assim, cEnq pertence ao pai dos dois ramos, sem se tornar filho de CST ou de IPITrib. Isso não significa que todo item de qualquer nota deva conter IPI. MOC, p. 50 e XSD, TIpi

A origem do código é o enquadramento definido para a operação e sustentado por sua documentação e fundamento legal. Não se obtém cEnq pela multiplicação de uma alíquota, por uma conversão do CST ou pela cópia do enquadramento usado em outra mercadoria.

CST informa a situação tributária dentro de IPITrib ou IPINT. cEnq identifica o enquadramento legal no grupo IPI. EXTIPI, quando pertinente, é outro campo, relativo à exceção da TIPI no produto; não substitui cEnq. O antigo clEnq também não é um nome alternativo deste campo: o MOC o indica como excluído no leiaute 4.0. MOC, pp. 18 e 50

Formato não comprova validade na tabela

O MOC descreve cEnq como numérico, com uma a três posições. No XSD oficial arquivado PL 010d v1.03, a definição usa TString com comprimento mínimo 1 e máximo 3. Esse trecho não enumera os códigos e, isoladamente, não impõe a consulta à tabela. MOC, p. 50 e XSD, cEnq

Essa diferença explica por que passar em uma validação de formato não comprova a correção do enquadramento. A regra de negócio pode rejeitar um conteúdo que satisfaça o comprimento do tipo.

Preserve os códigos na forma publicada pela tabela, como 001. Tratá-los como números para armazenamento, retirando zeros à esquerda, perde a representação do identificador. Não acrescentar letras, espaços ou uma descrição textual ao valor é parte da conferência do campo; a descrição e a justificativa ficam na documentação da operação.

O pacote 010d citado é referência estrutural histórica, confrontada com a documentação técnica no corte de 27/09/2026. Não é uma declaração de pacote vigente para transmissão.

387 e 388 verificam problemas diferentes

O06-10, de aplicação obrigatória no modelo 55, trata de código de enquadramento legal inválido e tem retorno 387. A conferência envolve a entrada da tabela, não apenas a quantidade de caracteres. MOC, p. 118 e NT 2020.002 v1.01, p. 6

O09-10, também de aplicação obrigatória no modelo 55, verifica a compatibilidade entre CST e cEnq, com retorno 388. As condições documentadas são:

CST de IPINT Situação indicada pela regra Faixa de cEnq compatível
02 ou 52 Isenção 301 a 399
04 ou 54 Imunidade 001 a 099
05 ou 55 Suspensão 101 a 199

A regra possui uma exceção expressa: não se aplica em produção a nota com data de emissão anterior a 01/04/2016. Essa data se refere à emissão da nota, não ao dia em que o XML foi importado ou conferido. MOC, p. 118 e NT 2020.002 v1.01, p. 6

As faixas não tornam todo número do intervalo uma entrada válida da tabela, nem indicam qual enquadramento deve ser escolhido. Primeiro há um código e um tratamento definidos para a operação; as validações conferem sua representação e sua compatibilidade.

A ausência de uma dessas combinações na regra 388 também não prova que qualquer outro par seja fiscalmente correto. A regra técnica tem seu escopo, enquanto o fundamento da operação precisa de conferência própria.

O que 999 representa e o que ele não decide

A tabela do anexo da NT 2020.002 v1.01 apresenta 999 com a descrição de tributação normal do IPI e outros. Essa entrada não é uma autorização para usar 999 em qualquer situação nem um recurso para eliminar uma rejeição sem investigar a causa. Tabela, p. 12

O exemplo abaixo mostra somente o grupo IPI, com cEnq 999, CST 50 e modalidade percentual assumidos como já definidos. A base fictícia é R$ 300,00 e o percentual, 4%; a conferência resulta em 300.00 × 4.00 ÷ 100 = 12.00.

<IPI xmlns="http://www.portalfiscal.inf.br/nfe">
  <cEnq>999</cEnq>
  <IPITrib>
    <CST>50</CST>
    <vBC>300.00</vBC>
    <pIPI>4.00</pIPI>
    <vIPI>12.00</vIPI>
  </IPITrib>
</IPI>

O fragmento é sintético, omite o restante da NF-e e não está pronto para transmissão. Demonstra a posição de cEnq, a escolha do ramo e a conta com parâmetros previamente definidos; não escolhe enquadramento, CST ou alíquota para uma operação real.

Em outra hipótese, IPINT/CST 52 com cEnq 999 usa um código existente na tabela, mas fora da faixa 301–399 exigida por O09-10 para esse CST. Na condição de aplicação da regra, inclusive sua exceção por data, isso evidencia o problema de compatibilidade associado à rejeição 388. Trocar o código ou o CST por tentativa não estabelece o tratamento correto.

Como usar a tabela sem perder o contexto temporal

A tabela técnica traz descrições e referências legais que ajudam a identificar cada entrada. Essas referências precisam ser lidas com o contexto da operação e da legislação aplicável. A presença de um código em documento histórico não comprova que determinado benefício esteja disponível em 2026 para qualquer emitente ou mercadoria.

A NT 2020.002 v1.01, de agosto de 2022, consolida a atualização da descrição do código 165. Seu quadro registra que a versão 1.00 introduziu os códigos 163, 164 e 165 com previsão de produção em 11/06/2020. Para a versão 1.01, o quadro não informa nova data de implantação. Não é adequado criar um marco de vigência a partir do mês escrito na capa. Cronograma, p. 3, e tabela, pp. 9–10

Para uma conferência rastreável, reúna código e descrição da tabela, versão consultada, fundamento legal que sustenta o enquadramento e documentação da operação. Eventos, regimes e benefícios citados em entradas específicas não devem ser generalizados a situações distintas. A definição aplicável cabe ao responsável fiscal.

Conferência do código e do retorno

Ao investigar um retorno relacionado a cEnq:

  1. Abra o XML que corresponde ao retorno e localize o item indicado. Confira o código efetivamente serializado, com seus zeros, e o ramo de IPI presente.
  2. Compare a entrada com a tabela técnica lida. Para 387, diferencie código inexistente, erro de digitação e perda de representação.
  3. Para 388, confira CST, faixa correspondente e data de emissão, considerando a exceção documentada para produção.
  4. Confronte a informação do XML com o enquadramento já definido e sua documentação. Um código que passa na tabela e na faixa ainda depende desse fundamento.
  5. Identifique retornos que tenham outro foco antes de alterar cEnq. A regra obrigatória O01-10, com rejeição 742, trata da presença de IPI em NFC-e ou NF-e com DANFE Simplificado Tipo 2, tpImp=6; a extensão ao Tipo 2 tem marco de produção em 03/08/2026. Trocar cEnq mantém o grupo presente. NT 2026.002, pp. 3 e 17

Consulte IPI, CST de IPINT e CST de IPITrib para a leitura conjunta. Esta orientação confere campo, tabela e condições técnicas; não prescreve classificação, benefício ou enquadramento para uma operação.

Referência técnica para integração

XPath completo
/nfeProc/NFe/infNFe/det/imposto/IPI/cEnq
Namespace
http://www.portalfiscal.inf.br/nfe
Leiaute
4.00 · PL_010e_v1.02
Ocorrências no XSD
1–1 no contexto do elemento pai
Tipo
inline:TString · TString
Preenchimento no catálogo
Condicional

A ocorrência vale dentro da estrutura XML: um campo obrigatório em um grupo opcional não torna esse grupo obrigatório. A aplicação fiscal depende da operação e da versão da regra.

maxLength
3
minLength
1
pattern
[!-ÿ]{1}[ -ÿ]{0,}[!-ÿ]{1}|[!-ÿ]{1}
whiteSpace
preserve